terça-feira, 21 de junho de 2011

Sou

'...
Sou a emoção do perigoso, desde que eu possa cobrir o risco. 
Sou sorriso tímido em algumas horas e gargalhada escancarada em outras. 
Sou o tesão de uma missão cumprida, com gostinho de quero-mais-ainda. 
Sou a responsabilidade de um cofre. 
Sou adorar o meu trabalho.
Sou dedicada como uma formiga e preguiçosa como um bicho-preguiça.
Sou falar com Deus bem baixinho à noite, e ir à igreja.
Sou um sorriso aberto de quem estava com saudades de me ver. 
Sou arroz soltinho, ovo com gema bem cozida, suco de laranja, vitamina de abacate, pizza de mussarela e danoninho. 
E na sobremesa, eu sou um bolo de morango cheio de chantily.
Sou muito, mas muito chocolate, de todo jeito.
Sou a minha casa mais do que a rua. Sou o meu quarto mais que o mundo.
Sou olhar o céu da varanda com noite de lua cheia e estrelas brilhando, em tempo ameno, ouvindo música.
Sou a mesa e a cadeira do computador.
Sou banho gelado em dia quente. E também banho quente em dia frio.
Sou sapato baixo, meia fina, lingerie de algodão, calça jeans e blusas discretas. 
Sou pouca maquiagem, rabo-de-cavalo no dia-a-dia e cabelo solto e arrumado para as saidinhas.
Sou poucos relicários, mas as lembranças que ficam eu não consigo me desfazer.
Sou um NÃO gigante a grande parte das regras.
Sou um mal criativo e bom intuitivo às vezes. 
Sou um sorriso simpático e também um escorpião venenoso.
Sou dizer palavras que emocionam. Sou doação.
Sou um amor mal resolvido, e mais outro.
Sou a recusa de ficar ao lado de alguém só por ficar.
Sou uma folha em branco pra desenhar e escrever o que tiver vontade. 
Sou segurar as lágrimas nos olhos. Sou falar pra magoar.
Sou de não deixar a poeira ficar baixinha pra depois conversar. 
Sou de lembrar coisas pra falar depois que tudo acontece.
Sou grosserias e gentilezas, carinhos e carente.
Sou cheiro. Sou um olhar tímido e intenso, uma palavra sussurrada no ouvido.
Sou perfume sintonia que liga no último a minha sintonia.
Sou uma loucura, desafios e um beijo roubado. 
Sou silêncio.
Sou me sentir segura e amada.
Sou a saudade do colo da minha mãe, da irmã, do pai e da família.
Sou a saudade dos meus amigos.
Sou a saudade de pessoas que eu amei e que se foram. 
Sou a vontade de voltar a ser uma menina quando canso de ser adulta.
Sou o orgulho de ter vencido até aqui. 
Sou um eterno procurar o lado bom da situação e de acreditar nas pessoas.
Sou uma eterna sonhadora. Sou revoltada com o mundo.
Sou Chico Buarque, Renato Russo, dançar forró, desenho animado, filmes, internet com conexão rápida e milhares de e-mails, Fernando Pessoa, música de todos os jeitos.
Sou ligar o rádio bem alto enquanto arrumo a casa. 
Surpreender e ser surpreendida. Ouvir palavras doces e elogios sinceros. 
Sou comer manga lambuzando.
Eu não sou palavra
Eu não sou poema
Sou humana pequena
 
Às vezes sou dia
Às vezes sou noite
Às vezes madrugada
Às vezes sou nada
Às vezes sou fada
 
Às vezes faísca
Tô ligada na tomada
Tô parada como estátua
Estou de volta a imensidão de um mar
Que é feito de silêncio
Diga sim, ouça o som
Cola em mim a tua cor...'


(arranjos daqui, arranjos de lá...)
.

domingo, 19 de junho de 2011

Dias...

'[...] 
A vida me ensinou a nunca desistir
Nem ganhar, nem perder mas procurar evoluir
Podem me tirar tudo que tenho
Só não podem me tirar as coisas boas
Que eu já fiz pra quem eu amo

E eu sou feliz e canto
O universo é uma canção
E eu vou que vou

Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
[...]'

.

sábado, 18 de junho de 2011

A Influência das Ilusões nas Nossas Vidas


Traçar o papel das ilusões na génese das opiniões e das crenças seria refazer a história da humanidade. Da infância à morte, a ilusão envolve-nos. Só vivemos por ela e só ela desejamos. Ilusões do amor, do ódio, da ambição, da glória, todas essas várias formas de uma felicidade incessantemente esperada, mantêm a nossa actividade. Elas iludem-nos sobre os nossos sentimentos e sobre os sentimentos alheios, velando-nos a dureza do destino.

As ilusões intelectuais são relativamente raras; as ilusões afectivas são quotidianas. Crescem sempre porque persistimos em querer interpretar racionalmente sentimentos muitas vezes ainda envoltos nas trevas do inconsciente. A ilusão afectiva persuade, por vezes, que entes e coisas nos aprazem, quando, na realidade, nos são indiferentes. Faz também acreditar na perpetuidade de sentimentos que a evolução da nossa personalidade condena a desaparecer com a maior brevidade.

Todas essas ilusões fazem viver e aformoseiam a estrada que conduz ao eterno abismo. Não lamentemos que tão raramente sejam submetidas à análise. A razão só consegue dissolvê-las paralisando, ao mesmo tempo, importantes móbeis de acção. Para agir, cumpre não saber demasiado. A vida é repleta de ilusões necessárias.

Os motivos para não querer multiplicam-se com as discussões das coisas do querer. Flutua-se então na incoerência e na hesitação. «Tudo ver e tudo compreender», escrevia Mme. de Stael, «é uma grande razão de incerteza». Uma inteligência que possui o poder atribuído aos deuses de abranger, num golpe de vista, o presente e o futuro, a nada mais se interessaria e os seus móbeis de acção ficariam paralisados para sempre.

Assim considerada, a ilusão aparece como o verdadeiro sustentáculo da existência dos indivíduos e dos povos, o único com que se possa sempre contar. Os livros de filosofia esquecem-no por vezes.

(Gustave Le Bon, in 'As Opiniões e as Crenças')
.